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Imposto com desconto

É possível somar gastos fixos para o ano e dividir por 12 para saber quanto será preciso poupar mensalmente para quitar essas despesas sem susto

No texto anterior (leia abaixo) falei do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) e das outras contas do começo do ano, mas não disse uma coisa muito interessante sobre as contas do começo do ano: pagar com desconto é muito melhor.

O IPVA (junto do licenciamento e do seguro obrigatório), assim como o IPTU e o imposto de renda, são contas que temos que pagar somente uma vez ao ano, todos os anos. E que ainda assim, apesar de ser completamente previsível, ainda nos esquecemos de guardar o dinheiro para as contas.

Quem conseguiu poupar, tem uma grande vantagem em pagar o imposto do carro com desconto. O governo concede 3% de desconto para quem quita a dívida de uma só vez. Parece pouco, mas apenas como comparação, a Selic (a taxa básica de juros do País) deve render em torno de 0,5% neste mês.

Em outras palavras, é melhor pagar logo com o desconto do que deixar o dinheiro na poupança. Imagine que o IPVA de um carro seja R$ 100 sem o desconto. Abatendo os 3%, o contribuinte poderia pagar R$ 97 à vista, deixando de gastar R$ 3 (que ficam sobrando para tomar um sorvete, mas é melhor do que nada).

Se guardasse os R$ 100 na poupança, para pagar em três parcelas sem o desconto, ele teria dívidas mensais de R$ 33,30. Se esses R$ 33,30 fossem deixados na poupança, renderiam R$ 0,16. Em três meses, os R$ 0,48 acumulados de rendimento não chegariam nem perto dos R$ 3 economizados com o pagamento antecipado. (OBS: Todas as contas são aproximadas e arredondadas, para melhor entendimento)

Segundo a Secretaria da Fazenda de SP, a vantagem de guardar o dinheiro já foi maior. “Mas com os juros básicos menores, a proporção do desconto do IPVA concedido no mês ficou maior se comparada à taxa Selic mensal.”

Outra vantagem para pagar o IPVA de uma vez só é o programa da Nota Fiscal Paulista. O comércio e os prestadores de serviço em todo o Estado recolhem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), e 30% voltam como crédito ao consumidor que pediu a nota. Ao longo do ano, esse dinheiro acumula no CPF do contribuinte e ele pode pedir abatimento no IPVA (o pedido pode ser feito em outubro).

No meu caso, o valor acumulado em 2012 com a Nota Paulista foi superior ao que devo de IPVA pela posse da minha motocicleta. O imposto saiu de graça. O que devo pagar, de fato, é somente o licenciamento e o DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres). E, por ser moto, o preço do seguro é bem maior do que o pago por motoristas (e neste ano também pode ser parcelado).

Para quem não guardou nada e vai ter que parcelar todas essas despesas de começo de ano, uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo dá a dica: “é interessante somar gastos fixos previstos para o ano inteiro e dividir o resultado por 12. Assim, é possível saber quanto será preciso poupar mensalmente para quitar as despesas totais sem susto.”

Imaginando os mesmos R$ 100 de IPVA somados ao licenciamento (em torno de R$ 60) e ao seguro obrigatório (R$ 105,65, para carros, em 2013), somente para rodar com segurança (e dentro da lei) gasta-se em R$ 265,65. Para um planejamento financeiro adequado, seria possível guardar R$ 22 por mês ao longo do ano para, em 2014, não sentir a dor de desembolsar essa grana toda. Com o rendimento da poupança (use a calculadora do site da revista Você S/A), esses R$ 22 mensais virariam R$ 274 – uma sobra de R$ 8,35 sobre o valor devido e sem desconto.

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