Doente da cabeça e do bolso

Taquicardia, sono afetado, ansiedade, frustração, depressão, sensação de impotência, irritabilidade, isolamento. O que esses diagnósticos clínicos e psíquicos têm em comum? Em algum nível, todos fazem parte do pacote de problemas atrelados ao superendividamento. Quem alguma vez comprou por impulso e depois teve palpitações ao correr para esconder a fatura do cartão ou evitou que um parente visse mais uma sacola de compras desnecessárias em casa sabe do que eu estou falando.

A relação entre ter muitas dívidas e acabar contraindo problemas de saúde é algo que faz parte até do senso comum, mas uma pesquisa do Procon-SP feita neste ano comprovou a ligação fatídica. Segundo reportagem publicada no site do jornal O Estado de S.Paulo, um terço dos superendividados tem problemas de saúde.

“Entre 288 pessoas atendidas, verificamos forte sofrimento psíquico por causa do endividamento”, conta a assessora executiva do Procon-SP, Vera Remedi. “São pessoas que deixam de dormir, passam a ter problemas em casa, até se divorciam.”

Quando as dívidas são pesadas, ou a pessoa não toca no assunto e se enfia na bola de neve sem pedir ajuda ou o ela começa a demonstrar algumas reações como as que foram identificadas na pesquisa.

Renata Maransaldi, do Hospital das Clínicas (HC), diz que 45 pacientes procuram o hospital todos os anos apresentando os sintomas das compras compulsivas: “A compra compulsiva é um tipo de doença conhecida como transtorno de impulso. O paciente tem muita dificuldade de se controlar nas compras e esse descontrole se repete muitas vezes.” O nome disso é oniomania.

Um contador (veja só, o cara sabe lidar com números) disse a uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo que tinha um salário de R$ 1.000 e dívidas que passavam de R$ 35 mil. Começou a participar do grupo Devedores Anônimos quando não conseguiu mais pagar a própria comida ou o bilhete de ônibus.

Esse tipo de apoio de grupos vem crescendo no País. Desde o começo de 2012, o de São Paulo aumentou a frequência de suas reuniões e outras unidades começaram a funcionar. Novas unidades abriram no Rio de Janeiro também.

Em uma sociedade farta de crédito, será que a oniomania tem chance de se tornar um problema mais grave? O fato de dívidas poderem se transformar em problemas de saúde depende de como cada um lida com o dinheiro, mas isso deve ser tratado antes de ficar irreversível: se os gastos estão maiores do que os rendimentos, corra para arrumar as dívidas, enxugar gastos desnecessários ou elevar a própria renda para levar uma vida mais equilibrada.

Cuidar da cuca também é uma forma de economizar – imagine os gastos que temos se, endividados, ainda tivermos que pagar psiquiatras e remédios. Não adianta gastarmos com prazeres efêmeros sem ir diretamente à fonte das frustrações que descontamos nas compras.

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Arquivado em compras, educação financeira, inadimplência

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